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Temer viaja a Boa Vista nesta 2ª feira para discutir imigração venezuelana


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12/02/2018

Presidente tem reunião marcada com a governadora de Roraima, Suely Campos.

 

Depois de enviar uma comitiva de ministros a Roraima na última quinta-feira, o presidente Michel Temer decidiu viajar nesta segunda-feira a Boa Vista para conversar com a governadora Suely Campos sobre a situação do estado diante da intensa migração de venezuelanos.

 

Segundo o Palácio do Planalto, Temer vai interromper o recesso de carnaval e deixar a base naval na Restinga da Marambaia, no Rio, onde está com a família. A previsão é de que o presidente retorne ao Rio ainda nesta segunda.

 

A visita de Temer ocorre em meio a ataques a venezuelanos na capital de Roraima. No sábado, a Polícia Civil prendeu um guianense acusado de incendiar duas casas de imigrantes em Boa Vista. A cidade recebeu cerca de 40 mil imigrantes entre os 70 mil que cruzaram a fronteira no ano passado.

 

No entanto, segundo a Polícia Federal, foram registrados apenas 17.310 mil pedidos de refúgio de venezuelanos no ano passado.

 

O governo estuda transferir venezuelanos para outros estados para diminuir a sobrecarga nas unidades de saúde e outros serviços. Depois da visita na última quinta, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que os imigrantes poderiam ser direcionados para Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

 

A situação na região, no entanto, pode se agravar, já que a Colômbia deu início, na última sexta-feira, a novos procedimentos de controle migratório na fronteira com a Venezuela. As medidas adotadas pelo governo colombiano provocaram um gargalo imediato na região, já que o país recebe, diariamente, 37 mil imigrantes venezuelanos, segundo a agência de notícias espanhola “Efe”.

 

No fim de janeiro, o governo brasileiro anunciou que também reforçaria o patrulhamento em áreas fronteiriças e descartou fechar a fronteira. Na ocasião, o ministro Eliseu Padilha afirmou que o país não iria impedir a entrada dos venezuelanos.

 

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que o governo pretende ordenar a entrada de venezuelanos e oferecer apoio ao estado, com ações de saúde e entrega de suprimentos. Segundo Etchegoyen, as restrições adotadas pela Colômbia aumentam o fluxo de venezuelanos para o Brasil.

 

"Não dá para esperar o carnaval terminar para agir. A situação é dramática. Precisamos entrar com uma forte ação federal para ajudar o estado e os municípios de Roraima", disse o ministro.

 

 

Ataque deixa cinco feridos    

 

A chegada em massa de venezuelanos tem provocado tensão em Roraima. Duas casas de venezuelanos no bairro Mecejana, na Zona Oeste de Boa Vista, foram incendiadas na última semana. Cinco pessoas ficaram feridas.

 

O primeiro ataque ocorreu na madrugada do dia 5. Uma mulher de 24 anos foi atingida quando dormia em uma rede na varanda da casa. Três dias depois, um segundo incêndio deixou uma menina de 3 anos com queimaduras de segundo grau e o pai dela com 36% do corpo queimado. Eles dormiam quando um invasor ateou fogo no quarto onde estavam. Os dois permanecem internados em hospitais da capital.

 

Venezuelanos se concentram em tendas no entorno de ginásio em Boa Vista: situação se agrava e gera ataques xenofóbicos.

 

 

Segundo a Polícia Civil, o invasor é o guianense Gordon Fowler, de 42 anos. Ele foi preso no sábado. Neste domingo, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, ou seja, sem prazo determinado. Após a audiência de custódia, Fowler foi encaminhado para Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC).

 

Morador de rua na capital de Roraima, Gordon Fowler vinha sendo monitorado pelos policiais depois que foi identificado por testemunhas e em imagens de circuito de segurança próximo ao local do segundo incêndio. O delegado Cristiano Camapum, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), responsável pela investigação, afirmou que Fowler assumiu os crimes. O guianense, que é conhecido como “Jamaica” e está no Brasil há dois anos, vai responder por tripla tentativa de homicídio, por motivo torpe e com o uso de fogo.

 

"Em depoimento, ele (Fowler) disse ter sido agredido uma certa ocasião por venezuelanos e afirmou ainda que teve a sua bicicleta roubada. No entanto, o coloquei frente a frente com uma das vítimas, mas eles não se conheciam. Acreditamos que ele quis se vingar dos venezuelanos por perder espaço nas ruas. São vários venezuelanos vivendo nas ruas",disse o delegado.

 

Em seu depoimento, Fowler afirmou que as vítimas foram escolhidas pela facilidade em serem alcançadas, por dormirem em locais semiabertos, sem portas ou janelas, e por pernoitarem no bairro Mecejana, onde ele também se abrigava em imóveis abandonados. Ele disse ainda que não se arrepende do que fez, mas que não queria ferir mulheres e a criança, apenas os homens venezuelanos.

 

O guianense foi preso em uma casa vazia. No local, os policiais encontraram parte do material que pode ter sido usado nos ataques criminosos: garrafas com álcool, vestígios de gasolina e isqueiro, além de uma placa pendurada com a palavra “incêndio”.

 

Ao site “G1”, o delegado afirmou ainda que Gordon Fowler também atacou, em janeiro, um posto de gasolina ao lado da casa onde ocorreu o incêndio que deixou pai e filha queimados. Na ocasião, um venezuelano ficou ferido.

 

"Ele (Fowler) criou uma aversão geral aos venezuelanos. Podemos falar que os atos tiveram, sim, traços de xenofobia", disse Camapum.

 

 

Em janeiro, 12 mil novos imigrantes   

 

O fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil vem aumentando nos últimos meses. Para fugir da crise humanitária na Venezuela, 70 mil pessoas cruzaram a fronteira em Roraima no ano passado, segundo a Polícia Federal.

 

O número é dez vezes maior do que os que migraram em 2016 — 7 mil, de acordo com relatório da organização internacional Humans Right Watch. O ritmo da migração deve se intensificar este ano: somente em janeiro, mais 12.100 venezuelanos se mudaram para o Brasil em busca de moradia e serviços básicos.

 

A maior parte dos imigrantes — 40 mil pessoas — chegou a Boa Vista, conforme informou a prefeitura local no fim de janeiro. O número já equivale a cerca de 12% da população da capital de Roraima, de cerca de 330 mil pessoas.

 

Venezuelanos estão cruzando a fronteira em busca de serviços essenciais, para driblar a escassez de alimentos e remédios em seu país de origem. Alguns vêm ao Brasil em busca de atendimento na rede de saúde. O GLOBO mostrou neste domingo que, entre eles, estão alguns integrantes das Forças Armadas da Venezuela.

 

A iminência de uma crise migratória levou o governo federal a agir. No fim de janeiro, ministros discutiram medidas para evitar que a rede de serviços básicos do estado fique sobrecarregada. Além da distribuição de imigrantes pelos estados e do reforço no patrulhamento da fronteira, o governo anunciou que vai realizar um censo entre os venezuelanos.

 

O presidente Michel Temer assinou um decreto para garantir documentos de identidade provisória para os imigrantes. Segundo o governo, o registro, ainda que temporário, ajudará a controlar o fluxo de entrada no país.

 

Apesar das medidas, Temer fez críticas ao governo da Venezuela. Na última sexta-feira, o presidente atribuiu ao presidente Nicolás Maduro a responsabilidade pela fuga em massa.

 

"Estamos em um embate diplomático com a Venezuela. Estamos a todo momento buscando uma ajuda humanitária", disse Temer, em entrevista à Rádio Guaíba.

Presidente tem reunião marcada com a governadora de Roraima, Suely Campos.


 


Depois de enviar uma comitiva de ministros a Roraima na última quinta-feira, o presidente Michel Temer decidiu viajar nesta segunda-feira a Boa Vista para conversar com a governadora Suely Campos sobre a situação do estado diante da intensa migração de venezuelanos.


 


Segundo o Palácio do Planalto, Temer vai interromper o recesso de carnaval e deixar a base naval na Restinga da Marambaia, no Rio, onde está com a família. A previsão é de que o presidente retorne ao Rio ainda nesta segunda.


 


A visita de Temer ocorre em meio a ataques a venezuelanos na capital de Roraima. No sábado, a Polícia Civil prendeu um guianense acusado de incendiar duas casas de imigrantes em Boa Vista. A cidade recebeu cerca de 40 mil imigrantes entre os 70 mil que cruzaram a fronteira no ano passado.


 


No entanto, segundo a Polícia Federal, foram registrados apenas 17.310 mil pedidos de refúgio de venezuelanos no ano passado.


 


O governo estuda transferir venezuelanos para outros estados para diminuir a sobrecarga nas unidades de saúde e outros serviços. Depois da visita na última quinta, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que os imigrantes poderiam ser direcionados para Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.


 


A situação na região, no entanto, pode se agravar, já que a Colômbia deu início, na última sexta-feira, a novos procedimentos de controle migratório na fronteira com a Venezuela. As medidas adotadas pelo governo colombiano provocaram um gargalo imediato na região, já que o país recebe, diariamente, 37 mil imigrantes venezuelanos, segundo a agência de notícias espanhola “Efe”.


 


No fim de janeiro, o governo brasileiro anunciou que também reforçaria o patrulhamento em áreas fronteiriças e descartou fechar a fronteira. Na ocasião, o ministro Eliseu Padilha afirmou que o país não iria impedir a entrada dos venezuelanos.


 


Ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que o governo pretende ordenar a entrada de venezuelanos e oferecer apoio ao estado, com ações de saúde e entrega de suprimentos. Segundo Etchegoyen, as restrições adotadas pela Colômbia aumentam o fluxo de venezuelanos para o Brasil.


 


"Não dá para esperar o carnaval terminar para agir. A situação é dramática. Precisamos entrar com uma forte ação federal para ajudar o estado e os municípios de Roraima", disse o ministro.


 


 


Ataque deixa cinco feridos    


 


A chegada em massa de venezuelanos tem provocado tensão em Roraima. Duas casas de venezuelanos no bairro Mecejana, na Zona Oeste de Boa Vista, foram incendiadas na última semana. Cinco pessoas ficaram feridas.


 


O primeiro ataque ocorreu na madrugada do dia 5. Uma mulher de 24 anos foi atingida quando dormia em uma rede na varanda da casa. Três dias depois, um segundo incêndio deixou uma menina de 3 anos com queimaduras de segundo grau e o pai dela com 36% do corpo queimado. Eles dormiam quando um invasor ateou fogo no quarto onde estavam. Os dois permanecem internados em hospitais da capital.


 



Venezuelanos se concentram em tendas no entorno de ginásio em Boa Vista: situação se agrava e gera ataques xenofóbicos.


 


 


PATROCINADORES

Segundo a Polícia Civil, o invasor é o guianense Gordon Fowler, de 42 anos. Ele foi preso no sábado. Neste domingo, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, ou seja, sem prazo determinado. Após a audiência de custódia, Fowler foi encaminhado para Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC).


 


Morador de rua na capital de Roraima, Gordon Fowler vinha sendo monitorado pelos policiais depois que foi identificado por testemunhas e em imagens de circuito de segurança próximo ao local do segundo incêndio. O delegado Cristiano Camapum, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), responsável pela investigação, afirmou que Fowler assumiu os crimes. O guianense, que é conhecido como “Jamaica” e está no Brasil há dois anos, vai responder por tripla tentativa de homicídio, por motivo torpe e com o uso de fogo.


 


"Em depoimento, ele (Fowler) disse ter sido agredido uma certa ocasião por venezuelanos e afirmou ainda que teve a sua bicicleta roubada. No entanto, o coloquei frente a frente com uma das vítimas, mas eles não se conheciam. Acreditamos que ele quis se vingar dos venezuelanos por perder espaço nas ruas. São vários venezuelanos vivendo nas ruas",disse o delegado.


 


Em seu depoimento, Fowler afirmou que as vítimas foram escolhidas pela facilidade em serem alcançadas, por dormirem em locais semiabertos, sem portas ou janelas, e por pernoitarem no bairro Mecejana, onde ele também se abrigava em imóveis abandonados. Ele disse ainda que não se arrepende do que fez, mas que não queria ferir mulheres e a criança, apenas os homens venezuelanos.


 


O guianense foi preso em uma casa vazia. No local, os policiais encontraram parte do material que pode ter sido usado nos ataques criminosos: garrafas com álcool, vestígios de gasolina e isqueiro, além de uma placa pendurada com a palavra “incêndio”.


 


Ao site “G1”, o delegado afirmou ainda que Gordon Fowler também atacou, em janeiro, um posto de gasolina ao lado da casa onde ocorreu o incêndio que deixou pai e filha queimados. Na ocasião, um venezuelano ficou ferido.


 


"Ele (Fowler) criou uma aversão geral aos venezuelanos. Podemos falar que os atos tiveram, sim, traços de xenofobia", disse Camapum.


 


 


Em janeiro, 12 mil novos imigrantes   


 


O fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil vem aumentando nos últimos meses. Para fugir da crise humanitária na Venezuela, 70 mil pessoas cruzaram a fronteira em Roraima no ano passado, segundo a Polícia Federal.


 


O número é dez vezes maior do que os que migraram em 2016 — 7 mil, de acordo com relatório da organização internacional Humans Right Watch. O ritmo da migração deve se intensificar este ano: somente em janeiro, mais 12.100 venezuelanos se mudaram para o Brasil em busca de moradia e serviços básicos.


 


A maior parte dos imigrantes — 40 mil pessoas — chegou a Boa Vista, conforme informou a prefeitura local no fim de janeiro. O número já equivale a cerca de 12% da população da capital de Roraima, de cerca de 330 mil pessoas.


 


Venezuelanos estão cruzando a fronteira em busca de serviços essenciais, para driblar a escassez de alimentos e remédios em seu país de origem. Alguns vêm ao Brasil em busca de atendimento na rede de saúde. O GLOBO mostrou neste domingo que, entre eles, estão alguns integrantes das Forças Armadas da Venezuela.


 


A iminência de uma crise migratória levou o governo federal a agir. No fim de janeiro, ministros discutiram medidas para evitar que a rede de serviços básicos do estado fique sobrecarregada. Além da distribuição de imigrantes pelos estados e do reforço no patrulhamento da fronteira, o governo anunciou que vai realizar um censo entre os venezuelanos.


 


O presidente Michel Temer assinou um decreto para garantir documentos de identidade provisória para os imigrantes. Segundo o governo, o registro, ainda que temporário, ajudará a controlar o fluxo de entrada no país.


 


Apesar das medidas, Temer fez críticas ao governo da Venezuela. Na última sexta-feira, o presidente atribuiu ao presidente Nicolás Maduro a responsabilidade pela fuga em massa.


 


"Estamos em um embate diplomático com a Venezuela. Estamos a todo momento buscando uma ajuda humanitária", disse Temer, em entrevista à Rádio Guaíba.


Presidente tem reunião marcada com a governadora de Roraima, Suely Campos.



Depois de enviar uma comitiva de ministros a Roraima na última quinta-feira, o presidente Michel Temer decidiu viajar nesta segunda-feira a Boa Vista para conversar com a governadora Suely Campos sobre a situação do estado diante da intensa migração de venezuelanos.



Segundo o Palácio do Planalto, Temer vai interromper o recesso de carnaval e deixar a base naval na Restinga da Marambaia, no Rio, onde está com a família. A previsão é de que o presidente retorne ao Rio ainda nesta segunda.



A visita de Temer ocorre em meio a ataques a venezuelanos na capital de Roraima. No sábado, a Polícia Civil prendeu um guianense acusado de incendiar duas casas de imigrantes em Boa Vista. A cidade recebeu cerca de 40 mil imigrantes entre os 70 mil que cruzaram a fronteira no ano passado.



No entanto, segundo a Polícia Federal, foram registrados apenas 17.310 mil pedidos de refúgio de venezuelanos no ano passado.



O governo estuda transferir venezuelanos para outros estados para diminuir a sobrecarga nas unidades de saúde e outros serviços. Depois da visita na última quinta, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que os imigrantes poderiam ser direcionados para Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.



A situação na região, no entanto, pode se agravar, já que a Colômbia deu início, na última sexta-feira, a novos procedimentos de controle migratório na fronteira com a Venezuela. As medidas adotadas pelo governo colombiano provocaram um gargalo imediato na região, já que o país recebe, diariamente, 37 mil imigrantes venezuelanos, segundo a agência de notícias espanhola “Efe”.



No fim de janeiro, o governo brasileiro anunciou que também reforçaria o patrulhamento em áreas fronteiriças e descartou fechar a fronteira. Na ocasião, o ministro Eliseu Padilha afirmou que o país não iria impedir a entrada dos venezuelanos.



Ao jornal O Estado de S.Paulo, o ministro Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que o governo pretende ordenar a entrada de venezuelanos e oferecer apoio ao estado, com ações de saúde e entrega de suprimentos. Segundo Etchegoyen, as restrições adotadas pela Colômbia aumentam o fluxo de venezuelanos para o Brasil.



"Não dá para esperar o carnaval terminar para agir. A situação é dramática. Precisamos entrar com uma forte ação federal para ajudar o estado e os municípios de Roraima", disse o ministro.



PATROCINADORES

Ataque deixa cinco feridos    



A chegada em massa de venezuelanos tem provocado tensão em Roraima. Duas casas de venezuelanos no bairro Mecejana, na Zona Oeste de Boa Vista, foram incendiadas na última semana. Cinco pessoas ficaram feridas.



O primeiro ataque ocorreu na madrugada do dia 5. Uma mulher de 24 anos foi atingida quando dormia em uma rede na varanda da casa. Três dias depois, um segundo incêndio deixou uma menina de 3 anos com queimaduras de segundo grau e o pai dela com 36% do corpo queimado. Eles dormiam quando um invasor ateou fogo no quarto onde estavam. Os dois permanecem internados em hospitais da capital.





Venezuelanos se concentram em tendas no entorno de ginásio em Boa Vista: situação se agrava e gera ataques xenofóbicos.



Segundo a Polícia Civil, o invasor é o guianense Gordon Fowler, de 42 anos. Ele foi preso no sábado. Neste domingo, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, ou seja, sem prazo determinado. Após a audiência de custódia, Fowler foi encaminhado para Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC).



Morador de rua na capital de Roraima, Gordon Fowler vinha sendo monitorado pelos policiais depois que foi identificado por testemunhas e em imagens de circuito de segurança próximo ao local do segundo incêndio. O delegado Cristiano Camapum, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), responsável pela investigação, afirmou que Fowler assumiu os crimes. O guianense, que é conhecido como “Jamaica” e está no Brasil há dois anos, vai responder por tripla tentativa de homicídio, por motivo torpe e com o uso de fogo.



"Em depoimento, ele (Fowler) disse ter sido agredido uma certa ocasião por venezuelanos e afirmou ainda que teve a sua bicicleta roubada. No entanto, o coloquei frente a frente com uma das vítimas, mas eles não se conheciam. Acreditamos que ele quis se vingar dos venezuelanos por perder espaço nas ruas. São vários venezuelanos vivendo nas ruas",disse o delegado.



Em seu depoimento, Fowler afirmou que as vítimas foram escolhidas pela facilidade em serem alcançadas, por dormirem em locais semiabertos, sem portas ou janelas, e por pernoitarem no bairro Mecejana, onde ele também se abrigava em imóveis abandonados. Ele disse ainda que não se arrepende do que fez, mas que não queria ferir mulheres e a criança, apenas os homens venezuelanos.



O guianense foi preso em uma casa vazia. No local, os policiais encontraram parte do material que pode ter sido usado nos ataques criminosos: garrafas com álcool, vestígios de gasolina e isqueiro, além de uma placa pendurada com a palavra “incêndio”.



Ao site “G1”, o delegado afirmou ainda que Gordon Fowler também atacou, em janeiro, um posto de gasolina ao lado da casa onde ocorreu o incêndio que deixou pai e filha queimados. Na ocasião, um venezuelano ficou ferido.



PATROCINADORES

"Ele (Fowler) criou uma aversão geral aos venezuelanos. Podemos falar que os atos tiveram, sim, traços de xenofobia", disse Camapum.



Em janeiro, 12 mil novos imigrantes   



O fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil vem aumentando nos últimos meses. Para fugir da crise humanitária na Venezuela, 70 mil pessoas cruzaram a fronteira em Roraima no ano passado, segundo a Polícia Federal.



O número é dez vezes maior do que os que migraram em 2016 — 7 mil, de acordo com relatório da organização internacional Humans Right Watch. O ritmo da migração deve se intensificar este ano: somente em janeiro, mais 12.100 venezuelanos se mudaram para o Brasil em busca de moradia e serviços básicos.



A maior parte dos imigrantes — 40 mil pessoas — chegou a Boa Vista, conforme informou a prefeitura local no fim de janeiro. O número já equivale a cerca de 12% da população da capital de Roraima, de cerca de 330 mil pessoas.



Venezuelanos estão cruzando a fronteira em busca de serviços essenciais, para driblar a escassez de alimentos e remédios em seu país de origem. Alguns vêm ao Brasil em busca de atendimento na rede de saúde. O GLOBO mostrou neste domingo que, entre eles, estão alguns integrantes das Forças Armadas da Venezuela.



A iminência de uma crise migratória levou o governo federal a agir. No fim de janeiro, ministros discutiram medidas para evitar que a rede de serviços básicos do estado fique sobrecarregada. Além da distribuição de imigrantes pelos estados e do reforço no patrulhamento da fronteira, o governo anunciou que vai realizar um censo entre os venezuelanos.



O presidente Michel Temer assinou um decreto para garantir documentos de identidade provisória para os imigrantes. Segundo o governo, o registro, ainda que temporário, ajudará a controlar o fluxo de entrada no país.



Apesar das medidas, Temer fez críticas ao governo da Venezuela. Na última sexta-feira, o presidente atribuiu ao presidente Nicolás Maduro a responsabilidade pela fuga em massa.



"Estamos em um embate diplomático com a Venezuela. Estamos a todo momento buscando uma ajuda humanitária", disse Temer, em entrevista à Rádio Guaíba.



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